domingo, 25 de janeiro de 2009

Dos recentes "big shows" cariocas, o melhor


Elton John faz questão de apontar para diversas partes da platéia emitindo um “thank you” para cada uma delas, em cada em intervalo entre as canções. O objetivo é claro: demonstrar sua gratidão pela presença do público que, no último dia 19, na Praça da Apoteose, foi de 28 mil pessoas.

No show de abertura, James Blunt mostrou ser um artista e tanto levantando o público na base de uma boa apresentação e de muita agitação – ele chegou a “surfar” em cima do piano. Às 22 horas, Elton John subiu ao palco. As seis primeiras canções executadas serviram para demonstrar a qualidade de sua banda e para o público começar a sentir coceira na garganta, esperando os “hits” imortais. Os primeiros acordes de “Goodbye yellow brick road” geraram, instantaneamente, um coro de gritos e aplausos.

Antes de “Sacrifice” fazer o público – incluindo as gerações mais avançadas – levantar-se nas arquibancadas, ouviu-se uma bela, porém um tanto longa, execução de “Rocket man”. A canção foi arrastada por mais de oito minutos fazendo uma senhora no público – por sinal, minha tia – soltar com bom humor: “Tá bom filho... vamos pra próxima!”

Antes do BIS, o público ainda dançou muito com “Bennie and the Jets” e “Crocodile Rock”, na qual a platéia entoou o refrãozinho clássico imortalizado, no Brasil, pelos Mamonas assassinas. “Skyline pigeon” – uma das favoritas do público brasileiro – foi cantada em coro e “Your song” fechou a magistral apresentação. O público ainda observou, de quebra, uma queima de fogos de artifício do Morro da Coroa por detrás do palco.

Nos últimos dez anos, à altura deste “big show”, no Rio, só mesmo o de Roger Waters na turnê “Dark side of the moon”. Além do fato de as bandas de ambos serem excelentes, um outro motivo é a acústica da Apoteose que se mostra muitíssimo melhor que, por exemplo, a do Maracanã, onde “The Police” e “Madonna” também realizaram bons shows. Ainda assim, Elton John leva o prêmio de melhor show dos últimos tempos pelo monstro, no bom sentido, que é. Compositores à sua altura são poucos.

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Estou em férias. Fevereiro virá acompanhado de muitas postagens.

Rafael Leme Gonzalez (rafael.leme@globo.com)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

1000 a 10: goleada no banho de sangue


A julgar pelo teor das reportagens sobre os recentes conflitos ocorridos no Oriente Médio nos mais diversos veículos de comunicação, pode parecer que a mídia tomou parte a favor dos palestinos – afinal vivemos tempos em que devemos desconfiar de tudo e de todos, vide imprensa norte-americana e sua cobertura da Guerra no Iraque. Mas, dessa vez, a questão é menos complexa. A cobertura tem sido editorialmente negativa em relação às ofensivas de Israel pelo simples fato de que não poderia ser diferente – do contrário, a empresa seria acusada de complacência frente atitudes de caráter assassino. Para deixar ainda mais clara minha posição, emito de forma condensada a maneira como vejo o atual conflito e sua repercussão: Israel tem sido tão sanguinário e inconseqüente, que nem a parte conservadora da mídia resistiu numa cobertura 100% imparcial. Afinal quando é sabido que o número de palestinos mortos é de 1024 contra 10 israelenses, é preciso tomar parte (números divulgados no dia 15 de janeiro-2009).

Quando me refiro à cobertura da imprensa, o faço em função de algumas reflexões que vagueiam em minha mente do tipo: a comunidade judaica é uma organização forte em todo o mundo. Seus membros, portanto, estão presentes no círculo dos poderosos. Esse círculo de poderosos é composto basicamente, no mundo de hoje, por investidores. E os investidores são clientes. E o cliente tem sempre razão. Como todo veículo de comunicação é uma empresa, é preciso estar sempre atento (os estudantes e formados em comunicação sabem bem do que estou falando). Mas como já disse, Israel conseguiu a proeza de perder qualquer aliado. Suas ações tem sido tão absurdas que fica chato até para os EUA apoiarem as ofensivas – foram a única nação que se absteve na votação da ONU em relação a uma possível trégua - cessar-fogo - por parte de Israel (todas as outras foram a favor).

O conflito deixa algumas indagações:

1) Até quando resistirá a cara-de-pau da cúpula executiva de Israel dizendo - entre outras barbaridades – que "não queria" iniciar a ofensiva? ... Ora, então porque o fez?

2) Até que ponto o conflito pode ter ligações com a crise, já que ele, por exemplo, fez subir o preço do petróleo que havia despencado?

3) Alguém ainda acredita na paz entre israelenses e palestinos?

4) Para que serve a ONU?

O argumento israelense para o banho de sangue é: nenhum Estado nacional aceitaria viver sendo bombardeado por mísseis sem responder de forma igualmente violenta. O objetivo, aparentemente, é: acabar com o Hamas. E o próximo desafio começa a aparecer: o Hezbollah. Mas vamos por partes.

Primeiro: essa história dos mísseis não pode ser dada como verdade. O motivo para o estopim do conflito tanto pode ser esse quanto pode ser outro (podem me acusar de teórico da conspiração, mas que a crise econômica parece ter a ver com isso parece...)

Segundo: o que bombardear uma escola, um depósito de material de ajuda humanitária e um prédio da ONU (!?!?) tem a ver com o objetivo da missão que é acabar com Hamas? Porque 1024 pessoas, sendo mais de 300 crianças, foram mortas? Quem responde por isso? Quem lançou esses mísseis? Qual o plano da próxima ofensiva? Esquartejamento de criancinhas palestinas em praça pública? O que esperar dos órfãos sobreviventes? Que eles aceitem e cantem “Imagine” junto aos judeus?

Terceiro, finalizando: por mais que seja sabido que o Hamas é uma organização militar que se infiltra na comunidade civil, o que tem ocorrido não pode ser tolerado. 300 crianças não podem morrer e pronto, dane-se (!). Isso é inadmissível, repugnante, cruel e injusto. A comunidade judaica deveria ter vergonha de seus laços com o Estado de Israel.

Rafael Leme Gonzalez (rafael.leme@globo.com)