A julgar pelo teor das reportagens sobre os recentes conflitos ocorridos no Oriente Médio nos mais diversos veículos de comunicação, pode parecer que a mídia tomou parte a favor dos palestinos – afinal vivemos tempos em que devemos desconfiar de tudo e de todos, vide imprensa norte-americana e sua cobertura da Guerra no Iraque. Mas, dessa vez, a questão é menos complexa. A cobertura tem sido editorialmente negativa em relação às ofensivas de Israel pelo simples fato de que não poderia ser diferente – do contrário, a empresa seria acusada de complacência frente atitudes de caráter assassino. Para deixar ainda mais clara minha posição, emito de forma condensada a maneira como vejo o atual conflito e sua repercussão: Israel tem sido tão sanguinário e inconseqüente, que nem a parte conservadora da mídia resistiu numa cobertura 100% imparcial. Afinal quando é sabido que o número de palestinos mortos é de 1024 contra 10 israelenses, é preciso tomar parte (números divulgados no dia 15 de janeiro-2009).
Quando me refiro à cobertura da imprensa, o faço em função de algumas reflexões que vagueiam em minha mente do tipo: a comunidade judaica é uma organização forte em todo o mundo. Seus membros, portanto, estão presentes no círculo dos poderosos. Esse círculo de poderosos é composto basicamente, no mundo de hoje, por investidores. E os investidores são clientes. E o cliente tem sempre razão. Como todo veículo de comunicação é uma empresa, é preciso estar sempre atento (os estudantes e formados em comunicação sabem bem do que estou falando). Mas como já disse, Israel conseguiu a proeza de perder qualquer aliado. Suas ações tem sido tão absurdas que fica chato até para os EUA apoiarem as ofensivas – foram a única nação que se absteve na votação da ONU em relação a uma possível trégua - cessar-fogo - por parte de Israel (todas as outras foram a favor).
O conflito deixa algumas indagações:
1) Até quando resistirá a cara-de-pau da cúpula executiva de Israel dizendo - entre outras barbaridades – que "não queria" iniciar a ofensiva? ... Ora, então porque o fez?
2) Até que ponto o conflito pode ter ligações com a crise, já que ele, por exemplo, fez subir o preço do petróleo que havia despencado?
3) Alguém ainda acredita na paz entre israelenses e palestinos?
4) Para que serve a ONU?
O argumento israelense para o banho de sangue é: nenhum Estado nacional aceitaria viver sendo bombardeado por mísseis sem responder de forma igualmente violenta. O objetivo, aparentemente, é: acabar com o Hamas. E o próximo desafio começa a aparecer: o Hezbollah. Mas vamos por partes.
Primeiro: essa história dos mísseis não pode ser dada como verdade. O motivo para o estopim do conflito tanto pode ser esse quanto pode ser outro (podem me acusar de teórico da conspiração, mas que a crise econômica parece ter a ver com isso parece...)
Segundo: o que bombardear uma escola, um depósito de material de ajuda humanitária e um prédio da ONU (!?!?) tem a ver com o objetivo da missão que é acabar com Hamas? Porque 1024 pessoas, sendo mais de 300 crianças, foram mortas? Quem responde por isso? Quem lançou esses mísseis? Qual o plano da próxima ofensiva? Esquartejamento de criancinhas palestinas em praça pública? O que esperar dos órfãos sobreviventes? Que eles aceitem e cantem “Imagine” junto aos judeus?
Terceiro, finalizando: por mais que seja sabido que o Hamas é uma organização militar que se infiltra na comunidade civil, o que tem ocorrido não pode ser tolerado. 300 crianças não podem morrer e pronto, dane-se (!). Isso é inadmissível, repugnante, cruel e injusto. A comunidade judaica deveria ter vergonha de seus laços com o Estado de Israel.
Rafael Leme Gonzalez (rafael.leme@globo.com)

Um comentário:
Infelizmente só sabe a verdade do que é uma guerra e quem são os vilões quem está lá, no campo da batalha, levando bombas na cabeça e enterrando parentes e amigos. De longe, a imprensa publica apenas uma visão, quase sempre bem distante da realidade brutal.
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