Na foto: Danny Boyle, o realizador.“Slumdog millionaire” foi o Papa-tudo da vez na cerimônia do Oscar no último dia 22 de fevereiro. Ainda que não tenha assistido a Frost/Nixon, que estréia hoje nos cinemas brasileiros (Sexta 6/3), já me sinto no direito de emitir uma crítica positiva em relação ao sucesso do filme de Danny Boyle em Hollywood. Ainda que não concorde nem um pouco com as indicações a melhor filme que ignoraram as três melhores produções americanas do ano – Doubt (Dúvida), The wrestler (O lutador) e La boda de Rachel (O casamento de Rachel) -, posso dizer que o prêmio foi merecido.
“Milk” de Gus Van Sant também ganhou um lugarzinho na história de Hollywood. Sean Penn levou a estatueta de melhor ator com méritos. Ainda assim, a belíssima história de Harvey Milk encenada por um elenco que conta com Penn, Josh Brolin e James Franco não precisa de muitos outros acertos. A direção de Van Sant praticamente elimina chances do projeto fracassar. No caso de “Slumdog millionaire” não é bem isso que acontece. A série de acertos da produção é essencial para fazer dela um excelente filme. Não há um diretor consagrado, nem um elenco de peso e nem uma história real que por si só já é emocionante. Por esse motivo, creio haver justiça na premiação - ainda que prefira assistir a um filme como “Milk”.
A estética de direção de Danny Boyle é, no mínimo, pouco tradicional – algo ousado (ele utiliza Flashbacks, tonalidades diferentes em determinadas tomadas e efeitos do gênero). E acerta na mão. O roteiro é de uma originalidade rara. Os problemas que poderiam surgir em função do elenco ser todo composto por locais (atores indianos), são evitados com louvor. Na verdade esse fator passa a ser positivo para o sucesso do filme. A trilha sonora é uma beleza. Em suma, o filme é um acerto só. Frente a “The curious case of Benjamim Button” e “The reader”, no meu ranking, ele leva de lavada.
Quanto às premiações de atriz principal e coadjuvante, só tenho a dizer o mesmo. A premiação de Penélope Cruz era até certo ponto esperada, havendo um pequeno risco de Viola Davis ser a zebra da vez. Mas melhor assim. A espanhola dá show em “Vicky Cristina Barcelona” e já há algum tempo merecia o prêmio. Kate Winslet era barbada. Estrelando duas fortes produções no ano, a atriz não poderia deixar de ser premiada não só pelo desempenho em “The reader” (O leitor), mas pelo conjunto da obra. Até porque performance por performance, creio que Anne Hathaway e Meryl Streep arrasam muito mais em seus respectivos filmes (“Doubt” – Dúvida / “La boda de Rachel” O casamento de Rachel). Heath Ledger eterniza-se na história de Hollywood, finalmente. O James Dean do século XXI... hehehe

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Gostaria de colocar apenas dois pontos em relação a questões cariocas.
1 – A demolição de um estabelecimento alimentício na Gávea, conseqüência do choque de ordem, é envolvida por uma camada de subjetividades assustadoras. Para mim, o que antes era uma dúvida, agora é uma certeza: Rodrigo Bethlem e Eduardo Paes querem por que querem aparecer. Isso pode ser bom... ou não.
2 – A tentativa de assassinato na Niemeyer é absurda (Sim, como tantos outros eventos ocorridos recentemente na cidade, concordo. A vida é cheia de absurdos). Ainda assim, pela milésima vez, voltarei a dizer que enquanto a justiça permitir impunidade para os poderosos – e para os não-poderosos também – o quadro permanecerá aterrorizante como está. Que os órgãos responsáveis pela segurança pública estão corroídos, isto nós já sabemos. Mas enquanto não houver um “choque de ordem” no judiciário, não adianta nem melhorar a polícia. Quero ver quanto tempo esses sujeitos vão ficar presos... E olha que eles são a escória da sociedade – não falo por mim, mas pelo sistema. São, certamente, sujeitos marginalizados e sem quaisquer oportunidades. Mesmo com todas essas considerações, não há motivo para pena. Prisão perpétua – é a única saída que se aproxima um pouco de algo chamado justiça (por sinal, utópico...).
Rafael Leme Gonzalez (rafael.leme@globo.com)
Um comentário:
Meu querido filho, gostaria que vc desenvolvesse melhor a questão do choque de ordem, já que vejo essa política com bons olhos. Por mais que as ações se concentrem em determinados bairros, melhor fazer algo do que não fazer nada.
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