
Há coisas que só acontecem com o Botafogo. Ok. Mas deixe eu melhorar a frase. Há coisas que só acontecem com o Botafogo em jogos decisivos, preferencialmente finais. Porque faço esse adendo ao refrão? Trata-se da premissa sustentadora de minha tese.
O futebol está repleto de acontecimentos sobrenaturais. Quem explica o gol de falta de Juninho Paulista na primeira final do estadual 2001? E o do Pet uma semana depois? Aquela bola na gaveta entrou aos 48 e pronto. Foi isso? Tri do Flamengo. Quem explica o caminhão de gols perdidos pelo Botafogo na final de 2007? E o gol do Renato Augsto? Ele nunca tinha acertado um chute daqueles. Acertou ali? Naquela ocasião? Ou pior de tudo, quem explica o jejum de títulos do Botafogo de 2007 a 2009, tendo sido favorito em uma avalanche de competições e eliminado dramaticamente de todas elas? Como assim tomar 3 do River em 8 minutos!! Como aquele chute patético no jogo contra o Figueirense entrou pela falha do goleiro? E os erros de Ana Paula?!? Ah não. Isso não é explicável cientificamente.
Pois a derrota do Flamengo para o Cruzeiro também não. Vocês dirão: "Mas o Flamengo não tem quem faça gol. É ruim no ataque e, portanto, perdeu." Eu digo: "É mais que isso."
Há coisas que só acontecem com o Flamengo em jogos de campeonato brasileiro, preferencialmente no mineirão contra o Cruzeiro, na Vila contra o Santos ou em qualquer estádio da região Sul do país. É impressionante. O Flamengo passeou no primeiro tempo e a bola não entrou. Aos 20 de jogo, quando Fábio impediu com o pé que o pênalti fosse convertido, eu já tinha a certeza: "Ela não vai entrar hoje"... cantei a pedra. Podia chamar o Adriano, o Ronaldo e o Nilmar que ia dar no mesmo.
Contra o Cruzeiro no Mineirão, rubro-negros, não percam tempo. Tirem o dia para dar uma volta no shopping, ou curtam a praia até o fim da tarde. Os mesmos deuses, anjos ou duendes que impedem o Botafogo de vencer o Fla em finais entram em campo, nesse caso, contra o Flamengo.
Rafael Gonzalez (rafael.leme@globo.com)
Um comentário:
Muito bom, como de hábito, o artigo. De fato, o Mineirão passou a ser pior até do que o Olímpico - onde era difícil ganhar até com Zico.
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