terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A hora do espanto

Origens, ícones e clássicos do terror


Atualmente, os filmes que se enquadram no gênero terror costumam trazer o medo à telona através de muito suspense e acima de tudo muito barulho.
Mas esse gênero tem suas origens no início do século XX e já passou por dias melhores nos quais o medo era muito mais psicológico e permanecia por mais tempo na mente das platéias.
O primeiro longa-metragem de caráter terrorífico é a produção alemã "O gabinete do Dr.Caligari" (1919) de Robert Wiene. Considerado uma verdadeira obra-prima do cinema, retrato do expressionismo alemão, o filme conta a história do hipnotizador Caligari, que se apresenta num parque de diversões com seu médium Cesare, um sonâmbulo que mata várias pessoas sob hipnose e às ordens de seu mestre. O filme trata no fundo do horror da mente. O subconsciente funcionando como "inimigo" interno, controlando nossas ações.
A partir daí até os dias de hoje, o terror vai consagrando-se mundialmente como gênero cinematográfico. Em 1921, temos o lançamento de "Nosferatu", de Murnau, o primeiro dos grandes filmes de Vampiro, adaptação não-oficial de Drácula de Bram Stoker. "O vampiro da noite" (1958) de Terence Fisher mantém o alto nível com um ótimo Christopher Lee no papel do Conde Drácula.
Em 1931, o romance "Frankstein" de Mary Shelley é adaptado para o cinema com direção de James Whale. Nascia mais um vilão (ou herói para os fãs) do terror.
Os primeiros grandes sucessos de bilheteria surgiram nos anos 70. "O Exorcista" (1973) de William Friedkin, eterno clássico do horror, conseguiu a façanha de ser o primeiro filme de terror a ser indicado à categoria principal do Oscar. E ninguém esquece a volta de 360 graus da cabeça de Regan, a menina que sofre possessão do demônio.
Mas cena clássica mesmo é a do assassinato no chuveiro de um dos quartos do Motel Bates em "Psicose" (1960) de Alfred Hitchcock, ícone do terror. A trilha sonora de Bernard Herrman será lembrada eternamente.
Ainda podem ser citadas outras cenas inesquecíveis do horror. Em "O iluminado" (1980) de Stanley Kubrick, Jack Nicholson, com atuação assombrosa, protagoniza uma dessas cenas: com um machado em punho, destrói a porta do banheiro onde está escondida a sua mulher apavorada. Johnny Depp, que faz sua estréia numa grande produção em "A hora do pesadelo" (1984) de Wes Craven, também participa diretamente de uma cena marcante do terror na qual seu personagem é reduzido a miúdos após ser "engolido" pela própria cama. E quem esquece a cena em que Michael Myers invade o armário onde está escondida a pobre Laurie (interpretada pela "rainha do grito" Jamie Lee Curtis) em "Halloween" (1980) de John Carpenter?
Myers que faz parte da lista dos famosos assassinos desvairados e imortais do cinema. Além dele podemos citar o inesquecível e destruidor Jason Voorhees de "Sexta-feira 13" (1980) de Sean S. Cunninghan. Jason figura talvez como o maior sanguinário do cinema, matando todo e qualquer ser vivo que encontre pela frente. Outro inesquecível é Freddy Krueger de "A hora do pesadelo"(1984) de Wes Craven. Krueger na verdade ataca suas vítimas apenas em seus sonhos. Os personagens acabam travando uma batalha contra o sono, visto que acordados permanecem à salvo. Mas também quando caem no sono é pra não acordar mais. Ainda merece citação o maníaco da serra elétrica Leatherface de "O massacre da serra elétrica" (1974) de Tobe Hooper, filme baseado em fatos reais.
Apesar de enquadrar-se também no gênero ficção científica, "Alien – o oitavo passageiro" (1979) de Ridley Scott carimbou sua importância no cinema de terror devido à presença da criatura de outro planeta que invade a nave Nostromo, cuja tripulação investigava uma transmissão emitida em um planeta desconhecido.
Outro que foge um pouco ao gênero terror, mas pode ser incluído como marcante é "Tubarão" (1975) de Steven Spielberg, que deixou as pessoas com um enorme receio de banhar-se no mar por muito tempo. A fantástica trilha sonora de John Williams é inesquecível.
Em 1982, "Poltergheist" de Tobe Hooper inicia a onda de filmes de espíritos. Na trama, uma família é atormentada por fantasmas em sua casa. Mais atual, "O chamado" também trata de espectros. O assustador fantasma de Samara sai da TV para matar aqueles que viram uma fita de vídeo.
Um ícone eterno do terror que merce menção é Vincent Price que teve sua atuação mais marcante em "O abominável Dr.Phibes" (1971) de Robert Fuest. Ele interpreta (adivinhem!) o Dr.Phibes, que após acidente fica deformado e perde a mulher Victoria. Acreditando que a equipe de cirurgiões foi incopetente por não salvá-la ele inicia uma meticulosa e abominável vingança.
O mesmo Price estrelou "A mosca" (1986) de David Cronenmberg, remake de "A mosca da cabeça branca" (1958) de Kurt Newmann. O filme conta a história de um cientista que acidentalmente se funde a uma mosca doméstica ao conduzir uma experiência de tele-transporte. O homem passa a desenvolver características físicas de uma mosca. Por mais tosca que seja a proposta, o filme se mostra interessantíssimo.
Toscas mesmas são algumas produções chamadas ironicamente de cinema "terrir" como "Re-animator" (1985) de Stuart Gordon, cujo enredo remete ao clássico Frankstein. Um obssecado médico inventa fórmula capaz de re-animar seres humanos (e até mesmo suas partes desmenbradas). O filme é um verdadeiro show de horrores (e de risos também), onde até cabeças decepadas falam.
Em "A hora do espanto" (1985) de Tom Hollan, assiste-se um filme de caráter descontraído, bem-humorado. Mesmo assim é classificado como terror. O jovem Charley acredita ter um vampiro como vizinho ao notar comportamentos estranhos na casa ao lado pela janela de seu quarto. Apesar de ninguém, nem mesmo sua namorada, acreditar na sua versão dos fatos, a verdade logo aparece mostrando que ele estava certo.
Outros títulos mereciam citação, mas de agora em diante é com voces. Portanto, dirija-se a video-locadora mais próxima e inicie as sessões de terror. Não esqueça da pipoca e, é claro, de apagar a luz.

Rafael Gonzalez (rafael.leme@globo.com) - publicado no JL Méier, edição de Maio de 2008.