quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Crueldade ontem e hoje


Assisti na última terça-feira “The boy in the striped pajamas” (O menino do pijama listrado), mais uma produção que abarca o tema da inocência infantil frente à estupidez adulto-humana, dessa vez materializada pelo nazismo. O filme é uma adaptação do romance de John Boyne, que leva o mesmo nome.
Diferentemente de filmes como “Machuca” ou “La Faute à Fidel!” (A culpa é do Fidel!), “The boy in the striped pajamas” é menos sutil ideologicamente. Ele é claríssimo, até demais. A começar pelo fato de que a história é bastante inverossímil, ao contrário das dos filmes citados acima. Em “Machuca”, tudo gira em torno da amizade entre meninos de classes sociais distintas que estudavam no mesmo colégio em função das medidas do governo Allende. Em “La faute à Fidel!”, uma menina filha de militantes e neta de conservadores vive uma série de dilemas infantis. Nesta última produção norte-americana, um menino filho de oficial nazista mora a pouco mais de 1 quilometro de um campo de concentração e consegue chegar a cerca eletrificada de onde estabelece contato com um pequeno judeu – o tal garoto do pijama listrado. Daí rola uma amizade que vai dar num final interessante, mas pouquíssimo crível. Essa inverossimilhança faz da obra uma reflexão caricata, onde as intenções se mostram óbvias.
Não se trata de uma crítica ao nazismo, efetivamente. Mas ainda assim, esse evento histórico é usado como elemento para reflexão, sem que se estabeleçam contrapontos, o que é complicado. Quero dizer: o nazismo aparece como algo horrível no filme. E foi, de fato. Mas até que ponto isso não pode ser assimilado erroneamente como algo que já passou? Um mal sanado? Em “La faute à Fidel!”, as faces perversas do conservadorismo são denunciadas e materializadas no golpe de Pinochet, mas as contradições da militância também são abordadas. Um exemplo ilustrativo é o momento em que o pai comunista leva a filha de 8 anos para uma passeata que termina com as pessoas levando cacetada da polícia (!?!?). Não é legal fazer isso...
Finalizo apontando “The boy in the striped pajamas” como um bom filme, salvo as críticas acima.

A propósito, deixo uma reflexão:
- Na Alemanha nazista, quem era contra o sistema podia fugir dele, renunciando ao partido. Claro, conseqüências como expurgo do país ou morte eram freqüentes para traidores desse tipo. Mas e na atual capital-democracia global? Se o cidadão não tem muita simpatia pelo consumismo desenfreado, o que fazer? (não vale virar pseudo-revolucionário e vestir uma camisa do Che) Na minha opinião, só o suicídio dá conta da libertação.
- Por essa ótica, qual sistema é mais cruel?

Rafael Leme Gonzalez (Rafael.leme@globo.com)

Um comentário:

Anônimo disse...

Fui assistir o filme ontém (O menino de pijama listrado). Se não fosse pelo tema tão sério e triste, quem sabe poderia ser até um filme de comédia tamanha ingenuidade do menino e, principalmente, da mulher.
Bom, sobre sua reflexão, não acho que apenas o suicídio liberta. Afinal, iremos voltar para esse mundo que estará ainda pior! Realmente não sei qual seria a saída, mas acho que mostrar nossa insatisfação com a atual conjuntura já é o primeiro passo. Se ninguém reclama, nada muda.

Fiquei com inveja e montei um blog também! Depois dá uma olhada!
Bjs