“I’d give you a B- for that”, disse Madonna ao público depois de uma “Dress you up” levada a cappella. Pois é recíproco - eu diria. Na verdade, esta crônica seria bem diferente não fosse o andamento do show de segunda-feira, dia 15 de dezembro de 2008, no Maracanã, a partir de “Like a prayer”, ou seja: não fosse seu final. O espetáculo parece ter terminado melhor que começado. Até certo ponto, confesso que pensava: “ela não vai, efetivamente, levantar essa galera. Não vai rolar”. Ledo engano... No fim das contas, a apresentação pôde ser digerida de forma bastante positiva.Tudo começou com um atraso de 1 hora e meia, capaz de deixar até carioca frustrado. Tanto é verdade, que as vaias e os gritos de “piranha!” tomaram conta do estádio a partir das 21 horas. Mas – naturalmente -, quando as luzes se apagaram, o Maracanã, às escuras, começou a berrar pela diva. Madonna surgiu sentada numa poltrona de rainha e em poucos segundos já estava dançando por todo o palco. “Candy shop”, “Beat goes on” e “Human nature” precederam a interpretação de um mix de “Vogue” com “4 minutes”, do qual sobressaiu-se melodicamente a segunda. Porque? – pensei – já que “4 minutes” seria tocada no último bloco do show. Depois de uma estranhíssima “Into the groove”, somaram-se mais e mais indagações. Mas nada foi tão duro quanto ver “Bordeline” se transformar num Hard Rock. Que diabos era aquilo?
Antes dos ciganos entrarem em cena, pus-me a refletir acerca do quão nostálgico e chato eu poderia estar sendo. Talvez uma pequena ajustada na ótica pela qual assimilava aquilo tudo seria suficiente para aproveitar o momento único. Da reflexão, surgiram algumas conclusões. O espetáculo, de uma forma geral, se pautou pela estética musical que vigora hegemonicamente no mundo e pela qual não tenho muita afinidade. Madonna adequou-se. Ainda que as coreografias fossem bastante parecidas com as de outros tempos, a estética musical não é a mesma. As batidinhas de “Holiday” e “Dress you up” não têm mais espaço. Os tempos são mesmo de batidão!
“Spanish Lesson”, “Miles away” – belíssima -, e “La isla bonita” – irreconhecível não fosse a letra – foram executadas cheias de exotismo, que se evidenciava na presença de uma trupe de músicos ciganos no palco. A bela “You must love me” gerou um certo frisson no Maracanã.
“Get stupid” inaugurou a última parte do show. Imagens no telão uniram os estúpidos Hitler, Mahmoud Ahmadinejad e John McCain e, em seguida, exaltaram figuras como Ghandi, John Lennon, Nelson Mandela, Madre Tereza de Calcutá, Martin Luther King, Barack Obama e Bill Clinton (!?!?). Estou até agora tentando estabelecer conexões entre os relacionados acima e não obtive qualquer resultado. De uma forma ou de outra, críticas ao consumismo são sempre bem vindas. Mas logo da garota materialista?
Foram preciso “4 minutes” para o jogo começar a virar, de fato. (Que trocadilhadela ridícula) Depois da execução do novo hit com direito a um virtual Justin Timberlake no palco, Madonna se dirigiu a sua audiência: “I heard that you saved a lot of prayers. It didn’t rained tonight”. O público respondeu com berros, e “Like a prayer” tirou a galera do chão. A massa sacudiu legal. Daí pra frente, o show ganhou em exuberância e animação. Ainda que todo o repertório recente tenha sido magistralmente interpretado durante todo o show, a partir daqui o público interagiu bem mais.
Antes de “Ray of light”, Madonna pediu uma sugestão musical a um integrante do público. O anônimo Daniel escolheu “Dress you up”. A rainha levou-a no gogó. Ainda que seja sabido que um playback acompanhou-a quase todo o show, esse momento serviu para decretar a vivacidade de sua voz e da do público também, ainda que Madonna tenha dado, com dose de bom humor, um B- para a galera. “Hung up” foi seguida de “Give it to me”, canção que fechou o espetáculo. Antes de executá-la, Madonna vestiu-se com a blusa da seleção e trouxe uma bandeira do Brasil em mãos. A mensagem “Game over” tomou os telões após o sumiço da estrela.
Acabado o grandioso espetáculo, um sutil som ambiente tomou conta do Maracanã, que esvaziava-se gradativamente. Era a “Holiday” original com sua batidinha característica. Que fim...! Meu B- é irônico como o de Madonna. Ela merece mais que isso.
Do show ficam boas lembranças.
Rafael Leme Gonzalez (rafael.leme@globo.com)
3 comentários:
Posto aqui, porque no do Natal não achei o link. Muito agradável a leitura, e agradeço pela parte que me toca quanto ao JB. Kisses!!
Daddy
I agree your mother f...... bjs!
Ei, esse texto é o mesmo publicado no Jornal do Meier? Lembro que qd li no jornal tinha um comentário pra fazer, mas relendo esse texto aqui no blog não lembrei o que era...
Bjs,
Lu
OBS: adorei o blog, indiquei para o meu pai que tb fez o dele! Qd puder dá uma visitada: www.contosdobruda.blogspot.com
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